quarta-feira, 23 de julho de 2008

Obama, um “pogreçista”

por Reinaldo Azevedo

Onze entre 10 pogreçistas brasileiros, a exemplo do que ocorre em boa parte do mundo, é bom observar, se pudessem votar nas eleições americanas, escolheriam, sem sombra de dúvida, Barack Obama, a quem se atribuem qualidades de, sei lá eu, redentor dos oprimidos. Ou então se vêem nele virtudes realmente inéditas, de “mudança”, seja lá o que isso signifique. Em certo sentido, ou muitos, Barack é tão antigo!!!

Nos últimos tempos, convencionou-se dizer que é bobagem a história de que um governo republicano (menos protecionista), nos EUA, é melhor para países como o Brasil do que um democrata (mais protecionista). Será mesmo que isso é só um convencionalismo?

A Lei Agrícola aprovada pelo Congresso americano, hoje de maioria democrata, votou um teto de nada menos de US$ 48 bilhões de subsídios para a agricultura, além das tarifas de proteção para o etanol feito de milho. É mais de três vezes do que a proposta que os americanos levaram para a OMC e quase sete vezes o que foi de fato desembolsado no ano passado. E quem foi um defensor entusiasmado da proposta, protecionista até o osso? Barack Obama.

John McCain, o candidato republicano, para o qual os nossos pogrecistas — amantes da humanidade e dos pobres do planeta — torcem o nariz, votou contra o pacote agrícola e contra a proteção ao etanol de milho. Os nossos pogreçistas têm um estranho modo de ser antiimperialistas e de defender os interesses dos pobres.

Também se diz que Índia e China formam uma espécie de bloco, junto com o Brasil, contra os ricos da Europa e dos Estados Unidos. Mais ou menos: a Índia resiste em derrubar algumas barreiras agrícolas, o que favoreceria os brasileiros, e a China não quer nem ouvir falar em discutir com o Brasil a balança negativa — para nós! — no comércio bilateral.

O mundo é mais complicado do que faz crer certa retórica que pretende opor emergentes esforçados a países ricos e folgados.

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